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segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

O Alfabeto das águas

 



Não sou eu que escrevo o poema 
 mas este inquieto espírito alado 
 desgarrado das ânforas do infinito 
Aqui, há muito tempo a acompanhar-me 
 Não sou eu que os escrevo quando o mar bate 
em mim como costados e me oferece dos búzios 
seus enredos e águas sussurradas 
Não sou eu que o escrevo mas este ente 
sempre inalcançável 
 que me fala pela alma dos barcos 
 e me concede paisagens para logo 
transmutá-las em estiagens

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

Salga


Anoto as palavras no mundo

não há latifundios precisos

para salvá-las da salga

e nada na alma que estanque

o sangue que vertem caladas

quando não podem nascer

e se cumprir como a água




terça-feira, 2 de dezembro de 2025

Enseadas

 


Nesta noite densa

em que em vão te estendo a mão

há um dizer sem razão

nas paredes alquebradas

dessas horas


Um dizer, quase ousadia

ao querer entender 

a liturgia

desses barcos 

nestas enseadas frias