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segunda-feira, 1 de junho de 2026

Estrelas caladas

À sombra do nada ergo uma esfinge. O brilho das estrelas caladas me desdizem. Eu penso que estou no mundo acumpliciado com os navios mas tudo é um sonho. Eles se vão em alto-mar com seus roteiros de água. Enquanto eu em terra firme envelheço em cicatrizes

sábado, 30 de maio de 2026

Conselho das águas

Não aprume a vela das jangadas. Deixe os ventos do mar cumprir essa jornada. Pois elas tangenciam e colhem o sal do mundo. E tu só tens os remos das palavras. Portanto não afronte os horizontes. Pois eles são a morada das águas. E se esses ventos hoje salgam os dias, amanhã te darão uma enseada

sábado, 23 de maio de 2026

AS PALAVRAS

 


 

As palavras são como os veleiros do acaso

Se o vento permitir chegarão a bom termo

Se em nosso dicionário se cumprirem

resgatarão fevereiro

e este brasão solar esculpido

em nosso existir

         

 Com elas recuperei o código

dos dias

desfiz o desalento dos alquebrados

e aos sonhadores  dissuadidos

compartilhei-as como se fossem

um achado

domingo, 17 de maio de 2026

ESCRITA

 

Escrevo para chegar

onde as palavras se calam

mas elas são ariscas

e quando as acho

me escapam


Eu fico com o arresto do que sobra

este alfabeto estrangeiro que tento

entender e me ignora 









quarta-feira, 11 de março de 2026

Redes

 

                       Traziam do mar

                  as redes com a quebração

                  da aurora

                  E este era sempre

                  o enredo

                  de sua vidas

                  salgadas