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quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Coroa Grande

A cidade existe. Com seu mar cercado por uma baía e uma ponte interrompida pela noite. Com breves palavras a percorremos. Chamava-se Coroa Grande. Nela iniciamos a revolução dos meninos. Nela construímos as trincheiras de vento feitas com a densa poesia dos sonhadores, caminhando na linha de um trem que a cortava, para longe de todas as palavras, com a febre dos estaleiros e inventários das águas. Essa cidade assim ficou deitada em minha vida, como um entroncamento do destino, pelo qual, tomado um rumo, não há retorno. Seus passageiros saltaram do ônibus e de um mundo em movimento,sedados pela ferocidade das horas. Largaram a estrela da manhã em minhas mãos e eu a levo neste ônibus das cinco, por dentro dos mesmos caminhos de ruas sem volta, onde não diviso mais os canteiros de encantação daquela cidade mágica, nem suas namoradas, nem os amigos tão breves. A estrela da manhã,migrou de minhas mãos,tornando-se um anacrônico ícone do passado. Incompreensível para a ordem do agora.

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