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domingo, 6 de janeiro de 2019
Comensal das águas
Então foi do mar que me veio as palavras
e eu que era um menino de vento
a seguir barcos e enseadas.
tornei-me um comensal das águas
sábado, 5 de janeiro de 2019
O poema de água
Não que fosse do mar
a tez da tua pele
Os mapas para te achar
perderam-se pelas estradas
não as reais pedra ou água
ou das almas velejadas
O mapa para te achar
perdeu-se nessas ruelas
na argila do teu silêncio
distinto do oceano
e tudo o que vivemos
sexta-feira, 28 de dezembro de 2018
Para mim
Guardo para mim o silêncio
e faço dele jangadas
Eu por tão pouco e por nada
guardei das palavras
as almas
Nem sempre
Nem sempre janeiro navega
sob o sol abrasante do mundo
seus barcos de palha são frágeis
qual certas vidas errantes
quinta-feira, 27 de dezembro de 2018
Clara noite
Na clara noite dos barcos
e de exauridas marinas
eu colho seus desamparos
com as mãos repletas de rimas
terça-feira, 25 de dezembro de 2018
Reis magos
Levavam a mirra
para o que ainda nasceria
com a terra sob os pés
e águas diluvianas próximas
para o que ainda nasceria
com a terra sob os pés
e águas diluvianas próximas
Dentro do corredor da noite
levavam nas mãos
a palha dos anos
o rosto crucificado
de um Deus deposto
levavam nas mãos
a palha dos anos
o rosto crucificado
de um Deus deposto
Não fosse a ordem
que os fazia caminhar
pelo deserto
seriam outros
que os fazia caminhar
pelo deserto
seriam outros
Não guardariam em si
as dunas silenciosas
da imensidão
as dunas silenciosas
da imensidão
domingo, 23 de dezembro de 2018
quarta-feira, 19 de dezembro de 2018
O Poema de areia
Vejo em teu rosto
uma integridade tão bela
que a mim me pergunto
se não o guardarei para sempre
pelas estações da terra
Queria beijar-te
andar junto contigo
correr pelo corredor da noite
E contar-te que fui um menino
de vento
e que já te amava
mesmo antes de amar os navios
já te amava, quando tudo ainda
era o perfume da possibilidade
e a areia do amor
escorria por nossas mãos
nas tardes abertas
pelo sentimento de saber
que o amor estava ao nosso alcance
como os navios,a poesia e os carnavais
Só o que havia
era só o que havia
os adereços falavam
e eu catava o silêncio
das hastes da madrugada
quinta-feira, 13 de dezembro de 2018
NO PAÍS DOS ESTALEIROS
No País dos estaleiros
Editora Kazuá - São Paulo
Editorakazua@gmail.com
Os poemas deste Blog em sua grande maioria encontram-se no livro de Francisco Orban "No País dos estaleiros", que recebeu Menção Honrosa da União Brasileira de Escritores- 2018
"Grande poeta do mar e grande poeta lírico, além do mestre do poema curto , bem como da forma originada no romance viejo ibérico, Francisco Orban faz parte do que podemos chamar de vertente lírico elegíaca da poesia brasileira contemporânea.
( Alexei Bueno)
Editora Kazuá - São Paulo
Editorakazua@gmail.com
Os poemas deste Blog em sua grande maioria encontram-se no livro de Francisco Orban "No País dos estaleiros", que recebeu Menção Honrosa da União Brasileira de Escritores- 2018
"Grande poeta do mar e grande poeta lírico, além do mestre do poema curto , bem como da forma originada no romance viejo ibérico, Francisco Orban faz parte do que podemos chamar de vertente lírico elegíaca da poesia brasileira contemporânea.
( Alexei Bueno)
terça-feira, 11 de dezembro de 2018
Dezembros
Dezembro se esvai aqui
nas águas e enxurradas
nas ruas eu jogo as tarrafas
nos horizontes sem fim
Embate com o tempo
E tudo é o embate com o tempo
no qual pouco pernoitamos
como breves comensais
de seus precários outonos
escrita no chão
E tudo tem um começo
até a palavra exata
com que escrevo no chão
o teor da imensidão
dos pescadores
O mar é só a invenção
de pescadores incautos
que jogam os anzóis vazios
nos alagados do ocaso
Poema das ruas
E é bom estar nas ruas
no esteio de uma aventura
e os passos que aqui invento
foram arados no vento
Silêncio do mundo
Ao grande silêncio do mundo
eu contraponho a palavra
e ela sempre me refaz
nos estaleiros da alma
Nação de palavras
Construí uma nação
com a multidão de palavras
mas agora vago incerto
na imensidão do nada
Quanto mar
Quanto de mar nessa palavra
que nos revela horizontes
quanto caminho a andar
em seus vales e andaimes
segunda-feira, 19 de novembro de 2018
Signos
E com as mãos encharcadas
de horizontes distantes
eu sigo como por extinto
a ordem muda dos signos
Se fosse hoje
Se fosse hoje eu beijaria teus olhos, mas assim não foi e não mais será, e nem a estrela que sigo com a alma dos pescadores me indica o caminho de volta. E não há como te dizer "meu amor", porque o amor é uma ponte interrompida pela noite e pela multidão de horas. Desce um grão de mágoa dos nossos olhares desarrumados, e árduos são os caminhos dos caçadores da estrela, porque se fosse hoje eu beijaria teus olhos, mas assim não foi e não mais será...
sexta-feira, 9 de novembro de 2018
Algazarra
Cresci dentro da algazarra
só entre pontes
Impactado pelo amor
e o desamor das palavras
Sem menos que antes
ou cercas de arames
Sereno diante do vento
da noite
a sussurrar-me o universo
errante
só entre pontes
Impactado pelo amor
e o desamor das palavras
Sem menos que antes
ou cercas de arames
Sereno diante do vento
da noite
a sussurrar-me o universo
errante
terça-feira, 6 de novembro de 2018
Mãos crispadas
Nessa cidade extorquida
onde o tempo nunca passa
eu trago as mãos crispadas
de suas vidas caladas
segunda-feira, 5 de novembro de 2018
hastes da madrugada
Apenas acesso o encanto
que traz-me toda palavra
colhendo-as dia após dia
nas hastes da madrugada
quinta-feira, 1 de novembro de 2018
de mãos dadas
Teu rosto restou-me dos dias
em que muito nos amamos
pisando com cuidado
os seus precários andaimes
quarta-feira, 31 de outubro de 2018
Barcos ao acaso
Trago no coração
o sonho dos barcos ao acaso
e assim o mar me dispensa
de sagas e honorários
segunda-feira, 29 de outubro de 2018
Conselho na noite
Pegue um pedaço da noite
e com ela faça um verso
As cidades nascerão
de dentro das palavras
segunda-feira, 22 de outubro de 2018
Guardar
Todo mundo deveria guardar um poema de amor Principalmente se lhe for endereçado. Mais ainda se o poema guarda as coisas dispersadas pelo nada, os portos onde o amor não achou pouso.As vidas apartadas por tão pouco. Porque o amor é a única enseada que buscamos. E as vezes mal chegamos já partimos
quarta-feira, 26 de setembro de 2018
O grande silêncio do mundo
Ao grande silêncio do mundo
eu contraponho a palavra
e ela sempre refaz-se
nos estaleiros da alma
sexta-feira, 7 de setembro de 2018
Pernoite
meus barcos são as palavras
com que pernoito em mim mesmo
até que o dia renasça
dessa noite e seu avesso
visão dos meninos
E ao divagar sem mais chão
resgato a visão dos meninos
que com tão poucos caminhos
refazem-se com a imensidão
O que dizer?
Agora que os barcos da noite
se desgarraram do cais
o que dizer aos que sonham
no emaranhado da paz
Para mim
Guardo para mim o silêncio
e faço dele jangadas
Eu por tão pouco e por nada
guardei das palavras
as almas
Enredo
Os navios me mantêm
e em seus caminhos me enredo
Só pego as rédeas da vida
quando navego no incerto
Quebração das horas
Me atenho ao sentido do mundo
sem nunca alcançar sua orla
e remo com as palavras
pela quebração das horas
Se tudo não se acertar
Se tudo não se acertar
seremos cantores mudos
mas quem nos alforriará
de sonhadores no mundo?
Vales e andaimes
Quanto de mar nessa palavra
que nos revela horizontes
quanto caminho a andar
em seus vales e andaimes
sábado, 25 de agosto de 2018
Arresto
A vida faz sempre o arresto
das coisas fora de medida
como os telhados dessas tardes
destampados pelos dias
sexta-feira, 17 de agosto de 2018
Barcos da noite
Agora que os barcos da noite
se desgarraram do cais
o que dizer aos que sonham
no emaranhado da paz?
domingo, 29 de julho de 2018
Escambo
Como os veleiros se foram
levando consigo meus sonhos
se já foram um dia o estuário
de minha cota de danos?
levando consigo meus sonhos
se já foram um dia o estuário
de minha cota de danos?
Como se foram no vento
levando meus pensamentos
se com os poemas e o mar
eu tinha uma forma de escambo?
levando meus pensamentos
se com os poemas e o mar
eu tinha uma forma de escambo?
terça-feira, 3 de julho de 2018
Tarrafas
Há muito que o mar me trouxe
como pele suas algas
Os ventos batem afoitos
nos cascalhos do meu rosto
Movido por um deus mudo
sigo atento pelas dunas
do areal que ficou
do que um dia foi só água
Há muito que o mar deixou-me
como saga seus navios
e suas escunas brancas
com as tarrafas da esperança
Das coisas do mar e do mundo
eu sou tecelão e causa
catando búzios do mar
como acordes espalhados
neste areal de silêncio
onde estrelas fazem
pausas
segunda-feira, 25 de junho de 2018
Desígnios
Meu olhar de pescador
desconhece o vento
E sob o desígnio do azul
escrevo um verso
Se estou perto de Deus
não sei ao certo
Aqui os flamingos
desconhecem o tempo
e planam sobre o mundo
a céu aberto
Eu voo sob os braços do eterno
em mim tão perto
e obscuro
sexta-feira, 15 de junho de 2018
Pousada
Pousada
De um barco
se faz leme
Seu verso
é a ventania
mas de um poema
se faz casa
e se mora
nos dias sem pouso
De um poema
faz-se um rosto
e lhe confere-se
harmonia
como o homem
que o faz
perto da luz
e do cais
Como o poeta
o faz
com o caos
de cada hora
Como o poema
se faz
por si só
como uma aurora
se faz leme
Seu verso
é a ventania
mas de um poema
se faz casa
e se mora
nos dias sem pouso
De um poema
faz-se um rosto
e lhe confere-se
harmonia
como o homem
que o faz
perto da luz
e do cais
Como o poeta
o faz
com o caos
de cada hora
Como o poema
se faz
por si só
como uma aurora
De um poema faz-se
noite
E com ele faz-se
um dia
noite
E com ele faz-se
um dia
segunda-feira, 11 de junho de 2018
Mero remador
Quisera eu
que sou um mero remador
no mundo
ter o poder de enfeitiçar
as palavras
Elas sim, me chegam
do nada
e se refazem plenas
na palma
de um poema
Não transmuto
as palavras
desato-as
de suas ciladas
segunda-feira, 28 de maio de 2018
O que fica do amor
Se há algo que
fica do amor
e seus escombros
são os vagos
simulacros
que inventamos
Pois o amor
com seu grande
oceano
Não se vai
como um barco
abandonado
retorna
retorna
e cobra seu legado
e nos joga sobre o mar
e seus costados
quinta-feira, 26 de abril de 2018
Mármore da palavra
No mármore
da palavra
procuro a sinfonia
que me escapa
como essa noite
finda
da qual só ficou
a casca
onde se gera um poema
que ninguém abarca
Um relâmpago
do qual só se guarda
o espantoquinta-feira, 19 de abril de 2018
Sinfonias de vento
Do mar
estes búzios
Onde dentro
o mar ditava
sua sinfonia
de águas
e muitos
ventos
e remos
e remadores
atentos
aos seus
cantos
e ciladas
estes búzios
Onde dentro
o mar ditava
sua sinfonia
de águas
e muitos
ventos
e remos
e remadores
atentos
aos seus
cantos
e ciladas
quarta-feira, 11 de abril de 2018
Dilúvio
Eu já fiz de todas as noites o cobertor para esquecer teus olhos mas as estrelas te retornavam. Já fiz para os emissários do amor as cartas com as sinfonias da terra. Fiz o silêncio obsequioso dos que erraram, e contei a areia do mar como forma de matar o tempo. Agora todas as balsas para atravessar o dilúvio se dispersaram. Nesta madrugada em que já não estais e as palavras se soltaram da fonte de seu sentido
segunda-feira, 9 de abril de 2018
Quebração
Arrastavam para dentro do mar
as redes com a quebração da aurora
Assim como o mesmo enredo
de suas vidas caladas
No mar que não tem cabelos
nem cercas em suas jornadas
traziam para salgar
os peixes que o mar deixava
Usando do mesmo sal
de suas vidas largadas
sexta-feira, 30 de março de 2018
Procuração
Tenho a procuração dos navios
e o rosto cansado da multidão
Na contramão dos avisos
um anjo da guarda sonolento
se dispersa comigo no vento
quarta-feira, 28 de março de 2018
Inventário do mar
Se no mar eu não acha-la
esqueçam toda palavra
Meu amor se foi na noite
e sua ausência desmonta
as hastes da madrugada
E as palavras que invento
não servem para encontra-la
pois são apenas o pranto
do nosso amor desgarrado
largado pelo mundo
como os veleiros calados
largado pelo mundo
como os veleiros calados
´
segunda-feira, 26 de março de 2018
Veleiros de vento
Se do mar nada voltar
resta a palavra aberta
uma posta onde escrevo
seus grandes enredos de água
Se seu chão não estornar
fica a sinfonia líquida
e as dunas dos seus segredos
Se seu continente azul
não comportar meus poemas
ficam os veleiros de vento
em que velejei seus
momentos
domingo, 25 de março de 2018
Do Mar
São do mar as palavras que chegam
com avisos de grandes estuários
são jangadas de água que desaguam
na imensidão azul que se alastra
São do mar esses semblantes
já crestados pelo sal das vidas áridas
a cercar com as redes da esperança
as cidades solares de areiadomingo, 18 de março de 2018
Bala perdida
A bala é um ser quase mudo
mas se cumpre num estampido
ferindo seres e falas
e a harmonia do mundo
A bala com seu plano sujo
não faz concessão a nada
resvala pela madrugada
mas só para abrir uma vala
E a madrugada que a acolhe
que afaga vento e estrelas
não sabe que ela é em si
um erro da natureza
Da natureza do homem
que a produz e consome
que a adestra e a solta
como cachorro sem dono
sexta-feira, 9 de março de 2018
Rio de Janeiro
Desaba a cidade desventrada
sobre as águas
Já que as balas e fuzis
são os acordes dos sonhos
E ela que era o amor
da minha vida
virou uma terra perdida
onde se desfazem
os homens
quinta-feira, 8 de março de 2018
Queria que soubesses
Queria que soubesses da força do meu amor.
A religião que criei para amar a ti sobre todas as coisas
Deus diz-me aos ouvidos que é pecado, mas eu
sigo assolado pela tua carne. Nesta noite em que a colheita
das estrelas será feita por nós, vou já liberto por amar-te.
Pois estais na centralidade do mundo, só por seres mulher
e a humanidade falar em teu ser
A religião que criei para amar a ti sobre todas as coisas
Deus diz-me aos ouvidos que é pecado, mas eu
sigo assolado pela tua carne. Nesta noite em que a colheita
das estrelas será feita por nós, vou já liberto por amar-te.
Pois estais na centralidade do mundo, só por seres mulher
e a humanidade falar em teu ser
Francisco Orban
sábado, 3 de março de 2018
Diante da noite
Diante da noite clara
e seus tapumes de estrelas
prossigo pela quarta-feira
entre incertezas e águas
Em minha agenda de bolso
meus caminhos sem retorno
Dentro da noite clara
com seus vaga-lumes errantes
prossigo como de costume
e a noite me norteia
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