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sábado, 25 de julho de 2026
A Poesia Madura e de Vez de Efigênia Alves
A poesia de Efigênia Alves foi a surpresa que chegou às minhas mãos neste
conturbado Início de ano de 2025. A começar pelo título “Verbos maduros e de
vez -E outros poemas” me dei conta, com alegria, que Efigênia Alves, que eu
já conhecia como romancista, também é uma rara poeta que em seu primeiro
livro de poemas já nos surpreende com o seu texto coberto de sertão e
memórias de uma meninice que felizmente nela permaneceu.
Logo de início somos compensados por poemas compostos de versos
abarrotados de lirismo. Vale a pena pontuar o poema que leva o título de
sua obra. Já nos primeiros versos está tudo dito: “Refiz os verbos na véspera
de um domingo/ Ensaiei o tom a meio termo para não me trair dizendo
tudo o que sei/Mas o domingo amanheceu em passarinhos que bicaram
os verbos maduros e até os verbos de vez” .
Sim, constato ao ler o livro desta poeta que em seu texto há
também poemas transbordantes de sertão e natureza, e são nestes, na minha
opinião, que sua poesia mais cresce. Finalizo este suscinto prefácio
pontuando alguns momentos, em que a menina Efigênia aparece em sua
poesia tão densa de lirismo ao dialogar com
figuras parentais já não presentes, mas com quem estabelece ou refaz os
diálogos de grande beleza como este : “ Eram
as palavras o que se tinha com fartura, naqueles tempos de muitas bocas
e pouco feijão. Tivesse cuidado com a prestância das palavras, a mãe
dizia. Falação demais pode engasgar e de menos entala”
O Nordeste que a cada momento nos surpreende com uma nova safra de
escritores e poetas já tem um lugar reservado para Efigênia Alves entre seus
pares. Se havia alguma dúvida já não há. Deixo aqui, um trecho de um de seus
poemas de título
“Enchente”, que considero um dos mais lindos, para ser degustado por seus
leitores, dos quais eu me incluo com muito orgulho
“Desde que saí das
águas primárias, enfrentei tantas enchentes.../ Morri algumas vezes, é
verdade. Mas emergi, cansada, com frio e um desejo de continuar
nadando sobre a superfície do mundo. E foi assim, a braçadas, que fui
morrendo menos. As águas eram também caminhos...(Francisco Orban)
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